sábado, 9 de outubro de 2010

Evangelho de Mateus - capítulo 9 ( com base nas notas de rodapé)

 Em Sua salvação, o Senhor não somente nos perdoa os pecados, mas também nos faz levantar e andar. Não se trata de primeiro nos levantarmos e andarmos e, depois ser-nos perdoados os pecados; tal salvação seria pelas obras. Pelo contrário, primeiro são-nos perdoados os pecados e, depois, nos levantamos e andamos; tal salvação é pela graça.
 Perdoar pecados é questão de autoridade na terra. Somente este Salvador régio, que fora autorizado por Deus e que morreria para redimir os pecadores, tinha tal autoridade. Essa autoridade visava o estabelecimento do reino dos céus. O pecador, por si só, não consegue ir até o Senhor, mas uma vez salvo por Ele, é capaz de sair andando da Sua presença.
 Seguir o Senhor inclui crer nele. Ninguém O segue a menos que creia Nele. Crer no Senhor é ser salvo; e segui-Lo é entrar pela porta estreita e andar no caminho apertado para participar do reino dos céus.
 Misericórdia é parte da graça que o homem recebe de Deus. Mas os homens que se consideram justos não gostam de receber misericórdia ou graça da parte de Deus; preferem, antes, dar algo para Deus. Isso é contrário ao que Deus estabeleceu em Sua economia. Assim como Deus deseja mostrar misericórdia aos pobres pecadores, assim também Ele quer que tenhamos misericórdia dos outros em amor.
 Ser religioso é fazer algo para Deus mas sem Cristo. Qualquer coisa feita sem a presença de Cristo, mesmo que seja bíblica e doutrinariamente correta, é religião. Tanto os fariseus, como os discípulos de João Batista, que pertenciam a nova religião, jejuavam muitas vezes, mas sem Cristo. Enquanto isso condenavam os discípulos de Cristo, que não jejuavam, mas tinham Cristo com eles, em cuja a presença viviam. Jejuar não é absterce de comer, é ser incapaz de comer por causa do encargo desesperado de orar por certas coisas. O viver e andar dos seguidores do Senhor deve ser governado e dirigido somente por Ele mesmo e Sua presença, e não por doutrina alguma.
 O Salvador régio não é somente o Noivo para o povo do reino com vista ao seu desfrute, mas também sua nova veste para que sejam equipados exteriormente, a fim de se qualificarem para participar das bodas. Além disso, Ele é a sua nova vida que os desperta interiormente, para que O desfrutem como seu Noivo. Ele, como Rei celestial, é o noivo para o desfrute do povo do reino, e Seu reino celestial são as bodas, onde eles o desfrutarão. Para desfrutá-Lo como Noivo no banquete do reino, eles precisam Dele como sua veste, que é o Cristo crucificado e ressurreto, que os cobre como sua justiça diante de Deus, e o vinho novo, que representa Cristo como a nova vida, cheia de vigor, que anima as pessoas.
 O povo do reino é edificado na igreja, e a igreja se expressa por meio das igrejas locais nas quais o povo do reino vive. Esse povo se compõe de pessoas regeneradas, que constituem o corpo de Cristo e se tornam a igreja. O corpo de Cristo como Sua plenitude, é também chamado " O Cristo", referindo-se ao Cristo corporativo. Para o povo de reino, não se trata de jejuar ou de qualquer outra prática religiosa, e sim, da vida da igreja, com Cristo como o seu conteúdo. Cristo não veio estabelecer uma religião terrena cheia de rituais, mas um reino celestial cheio de vida. Ele está estabelecendo tal reino, não com práticas religiosas mortas de espécie alguma, mas consigo mesmo, a pessoa viva, como o Salvador régio, o Médico, o Noivo, o pano novo e o vinho novo para os Seus seguidores, a fim de que estes o desfrutem plenamente e sejam o odre novo para contê-Lo e se tornem os elementos constituintes do Seu reino.
 Primeiramente, em Sua economia, Deus tem um plano a realizar; a seguir, há a necessidade de que Seu povo rogue e ore a Deus por isso. Ao lhes responder a oração, Ele realizará o que oraram com respeito ao Seu plano.